Oct 30, 2006

Salvem as Crianças


O título do post é a tradução de uma canção de Gil Scott Heron, escritor, poeta e compositor, que pode ser considerado o pai do Rap e também do moderno e hypado Hip Hop. Ele começou fazendo "spoken word"-palavra falada sobre frases de percussão lá pelos anos 60 e logo no começo dos 70 gravou "Small Talk at 125th and Lenox", que é basicamente a origem dos discursos sociais do Rap, onde a língua afiada de Gil mira a ignorância da classe média norte americana e a mídia branca da época, ao mesmo tempo em que critica o racismo de mão dupla, padrões de comportamento ofensivos de alguns negros do gueto, como em "Brother". É dessa época a letra de "the Revolution will not be televised" (a revolução não será televisionada)-hoje famoso mote da cultura cibernética, e "whitey on the Moon". Logo depois lança "Pieces of a Man", surgem as pérolas "Lady Day and John Coltrane", 'Home is where the hatred is', "When you are who you are" e "Save the children". Esta última é menos funkiada e bem doce, onde o visionário Gil nos urge a pensar nas crianças, salvá-las hoje (ontem), a fim de salvarmos o futuro (presente) do mundo. Me lembra a revolução proposta por Cristovam Buarque, "...uma revolução doce através da Educação..". É, Tirar nossas crianças das ruas e colocá-las em escolas seria uma (r)evolução. L.F.

Oct 25, 2006

Quem quer um abraço ?

Nesse mundo de hoje onde as pessoas são mais individualistas e egoístas, o psicólogo e consultor de RH Ary Itnem Whitacker, de 45 anos, foi para a avenida Paulista em São Paulo querendo abraçar, e polemizar também. Paulista de Santos, ele é o representante da CBAC (Confraria Britânica do Abraço Corporativo) no Brasil, e "luta" contra o isolamento nas empresas, causado pelas novas tecnologias de comunicação. O australiano Juan Mann já havia feito algo parecido, e parece que inspirou Ary. É realmente algo pra se pensar nesses dias em que as pessoas escrevem "scraps" no seu orkut, mas nem se falam ao telefone e tampouco se encontram pessoalmente.

Oct 24, 2006

Total Recall

Se você por acaso tem um notebook, acho que é seguro dizer que a essa altura do campeonato, não importa muito qual a marca e modelo que você tenha, a probabilidade de sua bateria estar com defeito e precisar ser substituida é enorme. A Sony fornece baterias de laptop para quase todos os fabricantes, e há alguns meses atrás as primeiras baterias começaram a explodir ou super aquecer, fazendo a empresa anunciar o maior recall da história das baterias, que incluem modelos vendidos por Dell, Apple, Toshiba e outras mais. Por isso, sugiro que você procure o site do fabricante do seu modelo, confira os números de série de baterias com provável defeito, e ache logo uma assistência técnica autorizada para providenciar a troca. Ou você vai esperar a sua explodir ? ∂ L.F.

Oct 23, 2006

Entrevista com o Criador do Whistler


Richard Whitelock é o criador do Whistler, software que concorre à chance de ser comercializado, se ficar entre os três finalistas do concurso My Dream App. Ele nos concedeu a seguinte entrevista por e-mail. Quem não leu o post da semana passada, e quiser saber mais, clique aqui.




CL - Em primeiro lugar Richard, parabéns pela idéia. Me parece fantástica. É um software que eu pessoalmente compraria se estivesse no mercado. Mas vamos às perguntas: Qual é a sua formação? você é músico? Programador?
RW - Bem, meu diploma é em animação digital, que foi um curso híbrido em artes, matemática e programação. Um ambiente realmente criativo. Eu também estudei um pouco de programação na faculdade, antes da universidade. No entanto, foi o bastante de códigos pra mim e eu decidi me focar no lado artístico das coisas, que me levou a um emprego na indústria de videogames, onde eu tenho trabalhado nos últimos 6 anos, basicamente criando cenários 3D. Mas sempre tive uma paixão por produção musical, gosto de vários gêneros de música eletrônica, especialmente o Drum & Bass.
CL - Como você teve a idéia do Whistler? Quando?
RW - Apenas foi óbvio pra mim. Eu conheço vários programas que executam funções similares, mas eles são desajeitados, antigos, caros e tem como público-alvo os "Geeks" da música. Afinal de contas, o barato da plataforma do Mac OS X é pegar uma tecnologia complicada e fazê-la acessível a qualquer um, ao mesmo tempo que dá recursos poderosos a quem precisa. O OS X tem uma interface amigável de música no Garageband. Eu aposto que muita gente que usa o mac pela primeira vez carrega o Garageband uma vez e depois nunca mais. Imagine se o Whistler viesse embutido na suíte de aplicativos iLife? Acho que faria uma grande diferença pra muita gente.
CL - Como funciona exatamente? Alguém pode ligar um microfone no Garageband, ou em qualquer Sequencer como Logic, Cubase, Pro Tools e usar como instrumento virtual? Vai funcionar como AU ? VST ?
RW -O Whistler foi projetado para funcionar com a tecnologia MIDI padrão. O Garageband usa essa tecnologia, assim como os outros softwares que você mencionou. Em princípio o Whistler funcionaria como um aplicativo MIDI normal, totalmente independente, mas que ao invés de um teclado, ele ouve você. Mas não existe razão para não funcionar como AU também.
CL -Você tem recebido muito retorno (positivo ou negativo) do mercado da Música? Existe uma história de que a voz humana é monofônica, então o software não gravaria polifonia. O que você diria sobre isso?
RW - Bem, cantores tibetanos podem fazer melhor que monofonia, mas eles não representam a maioria.:D
Para a Versão 1, o Whistler deve ser monofônico, o que significa que ele vai gravar uma nota de cada vez, e aí construir em cima disso. Então você pode assoviar uma nota, e o Whistler produzirá um acorde daquilo, baseado em presets configuráveis.
Detecção monofônica é algo bem plausível e um objetivo para a versão 1. A possibilidade para a detecção polifônica no futuro é enorme.
CL - O que você acha da plataforma Mac? Você realçaria alguns pontos pelos quais alguém querendo produzir música compraria um Mac no lugar de um PC ? Quais são seus 3 softwares favoritos?
RW - Bem, eu tenho usado Mac desde que comprei meu iBook há 4 anos atrás. Na verdade o grande lance é o sistema OS X. Eu não compraria um Mac se rodasse OS 9, nem tenho eu um comportamento anti-Windows, eu o uso todo dia no trabalho.
No entanto, para produção musical um Mac faz muito sentido. Eles não são tão caros quanto as pessoas pensam. Especialmente agora. A grande porcentagem de músicos usando OS X significa que não faltam aplicativos. O simples fato de que o Logic só roda em Mac já é uma boa razão para muitos produtores. E também o suporte de Audio no sistema operacional é excelente. O Core Audio oferece baixa latência numa plataforma estável. Eu não me lembro de ter me preocupado com drivers durante esses anos no OS X. Em se falando de Softwares de Música, eu teria que destacar o Reason, simplesmente porque foi o primeiro no qual eu 'mergulhei' e é muito divertido de usar, você pode aprender a mexer nele rapidamente; Eu gosto muito também do Live da Ableton, basicamente pelo jeito que ele lida com o áudio, de uma maneira flexível e "solta"; Em terceiro lugar, eu destacaria o Simplechord, um pequeno aplicativo que é um banco de dados gigante de acordes.
CL - Vamos supor que você ganhe, o que eu pessoalmente espero, quando o software estará disponível para venda?
RW - Tomara!! Quanto ao lançamento, isso só com o pessoal na My Dream App.
CL - Bem Richard, boa sorte e obrigado pela entrevista. Ficamos esperando o resultado.
RW - Eu é que agradeço o apoio e o espaço.ƒ

Oct 20, 2006

Musica Atemporal

Lá pelos anos 60, Vinícius de Moraes, já consagrado poeta e compositor, ganhou de presente do baiano Carlos Coqueijo um LP de sambas de roda e candomblés da Bahia, disco esse que o deixou estupefacto. Na época já rolava a parceria entre ele e Baden Powell, e Vinicius então "apresentou" o disco a ele. Os dois ficaram tão impressionados com o que ouviram, que resolveram ir a Bahia assistir a alguns shows. Lá, os dois que não eram bobos nem nada, se enturmaram logo com os intelectuais e músicos locais, e conheceram Canjiquinha, capoeirista, entrosado com a cultura Afro-Brasileira, que os levou a conhecerem as rodas de samba e terreiros. Baden, que à época estudava canto gregoriano com Moacyr Santos, fica boaquiaberto com o que presencia, mas não no sentido religioso-místico, e sim com a riqueza das harmonias. Depois disso a dupla decide que fará um trabalho inspirado na cultura afro-brasileira e começa compondo o samba "Berimbau". Depois vêm "Canto de Ossanha”, “Canto de Xangô”, “Bocoché”, “Canto de Iemanjá”, “Tempo de amor”, “Canto do caboclo Pedra Preta”, “Tristeza e solidão” e “Lamento de Exú".
Este disco talvez seja, na minha opinião pessoal é claro, um dos discos mais importantes do último século da música brasileira, mundial e interplanetária. Significou uma ruptura da bossa nova, inaugurando uma nova modalidade musical segundo o próprio poetinha. Sua energia irradia uma beleza atemporal, a fusão dos cantos africanos com a batida indefectível do violão de Baden mais as letras de um poeta "pouco" sensível, com o perdão da ironia, como Vinicius, fazem com que eu não queira escrever mais nada sobre este disco. É melhor ouvir. π L.F.